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POR Bárbara Hellen

Menos é mais

Colunistas / 22.11.17

Se você fosse para uma ilha deserta e só pudesse levar uma coisa, o que seria? Depois de anos levando mais de 20kg a cada viagem, a nova lei das bagagens propôs um desafio: kgs de graça limitados. Ou seja, a cada viagem, nossa mala nos questiona quais são os itens que são essenciais para aquela viagem.

Vou mais longe e questiono: quais são os itens realmente essenciais para a sua vida?

Sei que meu celular seria prioridade número um. E ah, pode levar minha mãe? Maria Antonieta, minha cadela, cabe?

No Netflix, existe um documentário sobre pessoas que vivem o estilo de vida “minimalista”. Elas reavaliaram todas as suas prioridades e se desfizeram de tudo que não era realmente necessário. Os minimalistas vivem com poucas peças de roupas, como uma calça, duas blusas e um tênis. Suas casas não têm muitos itens de decoração. Fica apenas aquilo que tem algum valor, seja emocional ou prático.

Recentemente perdi uma caneta que tinha sido dada pelo meu avô, já falecido. Fiquei triste, mas tive que desapegar. E um dos questionamentos que fiz foi até que ponto aquele objeto era importante para ter a capacidade de me deixar triste. Pois, por mais que a caneta tenha sido um presente muito especial, as memórias que tenho são infinitamente mais significantes. Não preciso da caneta para lembrar o meu avô. Ele está comigo todos os dias.

Em uma sociedade em que o amor aos objetos e consumismo é estimulado por propagandas o tempo inteiro, chegou o momento de reavaliar o que temos e a importância disso em nossas vidas. Não que eu vá virar uma minimalista, longe disso. Mas será que preciso de 10 calças jeans, sendo que só uso três delas? Ou será que preciso mesmo de dois celulares? De um computador, um Ipad e um Kindle?

Em semana de Blackfriday, é fazer o exercício de parar e pensar antes de comprar. Nunca vi tantos anúncios, tudo para incentivar o mercado. Se você vive para vender, ok. Mas, como consumidores, precisamos ser mais conscientes. Preciso disso? Poderia usar esse valor em objetos que realmente me acrescentem? No mínimo, nosso bolso agradece.

O consumismo sustentável ajuda o planeta, não tenho dúvidas. Mas, mais do que isso, nos dá um estilo de vida mais saudável, sem tantas dívidas, sem tantas coisas, sem tanta ansiedade por ter. Chegou a hora de ser. O objetivo é simples: já pensou que louco se a gente acumulasse mais experiências que coisas?

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha no ambiente digital desde 2010, quando lançou um blog e, desde então, preferiu as nuvens aos papéis. Exceto na hora de escolher um livro para ler, quando abandona toda a modernidade. Acredita que qualquer boa conversa pode virar um bom texto e que são os sonhos que movem a vida – e por isso que até hoje nunca passou um dia sequer sem sonhar.

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