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POR Bárbara Hellen

Pra-ler: A insustentável leveza do ser

Colunas / 19.11.17

A Insustentável Leveza do Ser, escrito por Milan Kundera, era um livro muito indicado. Sabia que precisava ler para formar minha opinião. Com um pouco de decepção, o livro não entrou para o hall de preferidos por ser uma leitura forçadamente complexa e que se perde no meio do caminho. Não é um livro delícia de ler, e explico por que.

A história rodeia entre quatro personagens, que se ligam ao longo da narrativa. Tomás, Teresa, Sabina e Franz atravessam desafios e fases de suas vidas, e acompanhamos, durante a leitura, os dilemas e descobertas que cada momento traz. O fundo é a cidade de Praga, durante as décadas de 60 e 70, e suas tensões políticas da época, como a Primavera de Praga.

O autor toca em feridas. Como bem diz o nome da obra, é insustentável ser leve, pois todas as nossas escolhas acabam pesando em nossa história. Fala-se também sobre o amor destrutivo – que ainda é romantizado no livro, levando em consideração o momento que foi escrito, mas que nos faz refletir sobre o “amor que dói”.

Para mim, esse é o ponto forte: as sacadas humanas que o autor tem sobre a vida em sociedade e sobre os relacionamentos. A gente se interessa pelo o que é próximo e essa identificação pode acontecer ao longo do livro, pois eventualmente questionaremos nosso papel na vida, ou os relacionamentos que temos, ou as escolhas que fizemos.

Apesar de um começo empolgante, a sensação, pra mim, foi de uma leitura que não vinga e que, em muitos momentos, você se sente perdido na história e confuso. Odeio a sensação de ler um livro e nem saber o que absorvi. Um amigo argumentou que talvez o autor quisesse fazer um paralelo com a vida real, na qual muitas vezes nos sentimos “perdidos”.

Bem, isso não ficou muito claro para mim.

Mesmo com as sacadas sobre a vida, que eu adoro, durante a leitura tive que voltar e reler pra tentar entender. Talvez as ligações sejam muito sutis, deixando essa sensação. E, sendo bem crítica, a história em si não é fascinante.

Para mim, valeu a pena ler pelo seu inquestionável valor literário. Mas que é permitido não gostar, ok?

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A coluna Artes mostra o que você não pode perder de vista e sugere para onde você pode voltar a sua atenção. Essa curadoria irá aproximar você dos conteúdos que acreditamos que você pode gostar.

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