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POR Gabriel Ferreira Veloso

Um panorama da juventude

Colunas / 12.10.17

Certo dia, eu estava na sala de aula da minha escola e minha professora propôs à turma o seguinte debate temático: “Jovens: tradicionais ou de cabeça aberta?”. Naquele momento minha cabeça parou. Nunca tinha parado para pensar que esse fenômeno passava ao meu redor e eu estava aquém dele. Falha minha, ok. No entanto, depois da mestra passar o tema e alguns dados para enxergarmos a situação, um aluno, fulano, fez uma observação: “Olha, eu acho que os jovens não compactuam com nenhum desses conceitos, pois somos sensíveis ao toque, ou seja, frágeis”. Se eu estava assustado com o tema, com essa fala eu pirei.

Contudo, esse pessoal touchscreen também é carregado de valores que antigamente não se valorizavam e, atualmente, o personagem que não se adaptar sai de cena. Porém, essa seleção natural se deve, essencialmente, à sociedade. Essas pessoas, de modo geral, exigem coercitivamente várias regras de comportamento e responsabilidade, e mesmo que Émile Durkheim tenha falado desses fatos sociais há muito tempo, existem adultos levianos que definem essas circunstâncias como uma fase natural.

É fácil um adulto dizer “Isso é fase, vai passar”, pois ele tem experiência de vida e, claro, já passou pela juventude. Grave engano. Infelizmente, os tempos de hoje são outros totalmente diferentes de 30 anos atrás. É assustador. Entretanto, as mudanças de lá para cá foram muito boas e, ao mesmo tempo, bem ruins. Um panorama rápido desse contexto negativo, nos leva às redes sociais, ao vestibular, a tecnologia dos smartphones, ao mercados de trabalho e, por último, o foco do debate: a política.

Em todos esses cenários, quanto se remete aos jovens, é possível enxergar inúmeras referências de instabilidade emocional. Analogamente, a juventude do presente são os recém-nascidos que só comem, dormem e choram. Exemplo disso? É simples, e preocupante: seja contra a opinião de um(a) adolescente, fale com ele sobre o ENEM, dialogue sobre os “nudes”, debata sobre o uso excessivo do celular e pergunte qual faculdade ou carreira que queira seguir. Nesses casos, são frequentes as vezes em que um moçoilo consegue ser imaturo e instável diante desses aspectos.

Nessa perspectiva, os pobres bebês, quando iniciam a maioridade, precisam alimentar-se dos vestibulares: passar em primeiro, decidir uma carreira promissora que na maioria dos casos concentra no Direito, Engenharia e Medicina; precisam manter seu ciclo social sem extrapolar as horas saudáveis de uso da internet, e sem expor-se demais; devem almejar o corpo ideal com horas nas academia e munindo-se com suplementos; necessitam cultuar o politicamente correto e terem sua opinião formada sobre tudo e, ainda, espera-se que sejam resilientes, tolerantes e equilibrados. O resultado é alarmante, sendo o choro(depressão) ou o sono eterno(suicídio) de muitos, ao tentarem enquadrar-se em todos esses padrões ao mesmo tempo.

Outro aspecto é presença da internet, que é importante pois, embora não seja a culpada por esses fenômenos, ela reflete o comportamento da sociedade. Em números, essa rede digital pode significar a origem dos transtornos mentais comuns presentes em cerca 30% dos jovens entre 12 e 17, segundo o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes(Erica). Nesse sentido, a forma multifacetada do meio digitalizado pode viabilizar essas ocorrências, que são observadas no conteúdo compartilhado, em que depreende-se o pensamento vigente entre os usuários. A exemplo disso, há o caso do jogo suicida “Baleia Azul”, a série “Os 13 porquês”, os discursos de ódio e intolerância religiosa e a presença de usuários depressivos(considerada como a doença do século segundo a Organização Mundial da Saúde), são alguns desses elementos.

Nos últimos momentos da aula, incorporei um detetive e fui atrás de mais referências. A maioria se resumia à indolência, melancolia e tristeza que maltratam os jovens do globo, não só do Brasil. Então, se quisermos saber se o moçoilo é tradicional ou cabeça aberta, o ideal é, primeiramente, dar espaço a ele, escutá-lo, apoiá-lo e deixar ele escolher o que quer da vida. Depois, claro, orientar sobre o bom-uso da internet poderá previnir esses, inclusive, outros problemas. Ademais, o amplo fator estudantil também é válido, ou seja, aliviar a pressão sobre eles e incentivá-los, nos estudos, vão favorecê-los.

É uma conjuntura processual e demorada mas, se feito desde o início, os índices melhoram desde o começo da adolescência, precavendo até o fatídico bullying escolar. E eu, estando nessa juventude, consigo enxergar os benefícios dessas ações, pois elas já refletiram positivamente em indivíduos próximos a mim. Mas, e o que esse tema revela para você? E para seu amigo? E para os outros? E para a sociedade? Já parou para refletir sobre o assunto? Essas foram as perguntas reflexivas que a professora lançou à turma. E elas foram o suficiente para eu cuidar mais de mim e do próximo.

Fim do debate.

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Gabriel Veloso – “Tiozão” no grupo de amigos. Amante de carros e seus motores. Sempre que tem uma ideia e não deixa de escrevê-la, logo a põe em seus textos nas horas vagas.

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