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POR Gabriel Ferreira Veloso

O trio

Colunas / 06.10.17

Na era digital, de conteúdo on demand (Ahh bendita Netflix!), de notícias relâmpago sobre delações premiadas e de manifestações de ódio nas redes sociais, é inegável a facilidade do acesso à informação. Seja na televisão, jornais, revistas ou na internet, pode-se ter contato com quase tudo de maneira rápida e fácil, mas nesse universo caótico e internetês, em que tudo se acessa e compartilha, como pode-se ter certeza da credibilidade daquela notícia compartilhada por um amigo no Facebook? Pois é. Não é mais preciso ter o selo de um grande jornal para uma manchete ser divulgada como verdadeira: sendo impactante e com letras de caixa alta, já é suficiente para gerar discursão nos grupos de Whatsapp. Some este exemplo aos trabalhos ostentados pela fonte Google. Não ria meu caro leitor, esses e outros erros são mais comuns do que você imagina.

Antes, é preciso entender porque os erros acontecem. Basicamente, eles são causados por pessoas que querem doutrinar outras menos esclarecidas através de notícias e informações falsas. Nesses sentido, os usuários mal informados -ingênuos em certos casos-, acreditam fielmente naquilo que foi compartilhado justamente por esse personagem não ser dotado de conhecimentos gerais ou de causa, e por isso, tendem a repassar os artigos levianos.

A partir das personagens envolvidas, temos de esclarecer o cenário. Nessa realidade, são as redes sociais e os buscadores, sendo eles, em síntese, Facebook, Twitter e o Google. Decerto, tenho que admitir a enorme importância deles ao integrar vários ramos de conteúdos ao mesmo tempo, em um só lugar e para muitos internautas. Porém, o destaque deles se rebaixa quando eles se tornam o meio de propagação das “pós-verdades”, sendo elas as notícias e informações falsas que posteriormente são desmentidas. E mais uma vez, quem pouco conhece o poder dessas ferramentas, eventualmente, pode cair no golpe dos malfeitores.

Com personagens e cenários definidos, agora vamos ao clímax, que se resume à leitura. Quem lê bem, escreve bem e, consequentemente, fala (e argumenta) bem. Dessa forma, esse ciclo é repetido várias vezes e, por ser diretamente proporcional, quanto mais se têm, mais se ganha. É simples, e será a ferramenta principal para o usuário pouco esclarecido não cair nas levianas “pós-verdades”.

A partir disso, como esse trio vai me possibilitar essa defesa? Vou explicar agora. Desde minha infância até o ensino médio, aprendi com meus pais e, principalmente, com minha professora de redação, o poder que as escrituras podem viabilizar. Os três, sempre me diziam para ler de tudo, até bula de remédio. Dessa forma, eu iria adquirir conhecimento diverso, ou um pouco de tudo. Depois, eu aprendi a escrever para conseguir pôr minha criatividade nas linhas do caderno. Já no ensino médio, o meu trabalho era a engenharia da argumentação, ou seja, saber usar as áreas de conhecimento da melhor forma possível de modo a convencer o leitor sobre uma ideia.

Ao fim do ciclo escolar, fiquei adaptado a me interessar (e acompanhar) o mundo ao redor. Jornais, revistas, livros, crônicas e outros gêneros textuais fizeram e ainda fazem parte da minha vida, e por conta disso, quando leio qualquer trecho intermediado pelo Google, Facebook e/ou Twitter, já posso prever a dimensão do que posso encontrar. E o que for contrário a todo o conhecimento que já assimilei, posso descartar. Ou melhor, posso recorrer a outras fontes para interligar e contestar a veracidade do conteúdo em questão. Além disso, toda essa bagagem literária me possibilitou entender e explicar bem muitos fatos que me cerca, e lógico, baseado em uma razão (conhecimento) fidedigna, incorporado ao longo de anos.

Então, pode-se concluir que ler os mais diversos autores e histórias te expõe a novos modos de pensar e escrever, aumenta o repertório vocabular e te deixa por dentro dos acontecimentos globais. E ainda tem outras vantagens. Te faz reconhecer e tolerar os outros e seus respectivos pontos de vista. Por último e, não menos importante – bem clichê mesmo, entre na onda -, a leitura te tornará uma pessoa interessante! Possuirás vários assuntos para conversar a qualquer hora e com qualquer um. Ademais, entenda ainda que ler absurdos pode fazer você filtrar o que é ou não passível de realidade mesmo que, nessa condição, você não saiba de tudo. Afinal, você não está sendo mentiroso, de fato, bem longe disso.

Portando, vamos à resolução do problema. O ciclo vicioso da leitura te tornarás um filtro diante das news das redes sociais e do buscador norte-americano, ambos ainda carregados de erros. E nessa conjuntura, a partir dos três que me ensinaram sobre o trio composto pela razão, leitura e escrita, posso reafirmar a mesma estratégia para quem sofre com as “pós-verdades”. Sem dúvidas, aqueles que adotarem essa prática conseguirão enxergar o que as redes sociais e o Google propagam e, consequentemente, verão que esses espaços necessitam de pessoas verdadeiras e propagadores da verdade e, com certeza, os novos leitores darão esse golpe de misericórdia.

E o final feliz, consiste nos superpoderes do trio que tornarão o meio informacional digital mais honesto e real.

E aí, leitor: Verdade ou Mentira?

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Gabriel Ferreira é considerado o “tiozão” no grupo de amigos, mesmo aos 17 anos. Passando pelo drama de passar no vestibular. Eclético na Literatura, amante de carros e aspirante em piloto de aeronaves quando se formar.

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