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POR Bárbara Hellen

Pra-ler: Estranhos à nossa porta

Colunas / 05.10.17

Zygmunt Bauman é um grande pensador da modernidade e ficou muito conhecido pelo seu conceito de “Amor Líquido” (um dos seus best-sellers). Na comunicação, o conceito de liquidez (em “Modernidade Líquida”) também é bastante estudado. Mas o primeiro livro inteiro que li de Bauman foi esse, “Estranhos à nossa porta”.

Atual (o livro é de 2016), Bauman expõe o quanto os governos utilizam a ansiedade da população com a crise migratória para desviar a atenção dos problemas que são incapazes de enfrentar – ou que não tem interesse. Por isso o crescimento de governos com figuras opressoras, fantasiados de salvadores da pátria. Vemos isso claramente na eleição de Trump que utilizou muito desse discurso de ódio contra imigrantes – e foi eleito.

Bauman vai a fundo e relaciona, por exemplo, o salto no continente de refugiados como um dano colateral produzido pelas expedições militares ao Afeganistão e ao Iraque. Ele também não utiliza de meias palavras ao afirmar que os nômades lembram o quanto é frágil o nosso bem-estar. Isso nos causa ansiedade e é uma chance para políticos, que não estão interessados em aliviar essa ansiedade e sim alimentá-la.

Por fim, é enfático:

“A humanidade está em crise – e não existe outra saída para ela senão a solidariedade dos seres humanos”

Um livro que foi feito para formar opinião e para ensinar conceitos que farão parte do nosso repertório. Obs: Tenho a impressão que todos os livros dele são assim.

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A coluna Artes mostra o que você não pode perder de vista e sugere para onde você pode voltar a sua atenção. Essa curadoria irá aproximar você dos conteúdos que acreditamos que você pode gostar.

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