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POR Paoula Braid

O tempo perdido

Colunistas / 21.06.17

Não é fácil aceitar que perdemos tempo, seja em um trabalho que não reconheceu o nosso potencial, seja em um relacionamento abusivo, seja com uma amizade desgastante. Enfim, temos e teremos ao longo da vida várias relações que nos deixarão essa sensação de tempo perdido.

E vem aquele questionamento: O que fazer com o tempo que passou? E com ele a resposta que mais dói: nada.

O tempo passou, a sua oportunidade de viver aquilo também passou. Não acredito e nem acho certo essa teoria de que temos que recuperar aquele tempo que foi perdido. Não existe acordo nenhum a ser feito com o tempo. Ele simplesmente passa…

Não dá para querer aproveitar uma festa aos 50 com a mesma alegria dos 25 anos, não temos como recuperar a inocência dos 15 anos. Aos 26 anos, sinto o peso do “ter que dar certo” mais evidente do que nos meus 20 anos, não posso e nem saberia como me portar sem me preocupar com as responsabilidades que adquiri, então, não sou a mesma de 6 anos atrás.

Sei que fica uma raiva, uma mágoa e essa sensação de perda, do que poderia ter sido e não foi, dos outros relacionamentos que poderíamos ter vivido, dos empregos nos quais poderíamos ter adquirido mais, das viagens que poderíamos ter feito e não fizemos, por algo ou por alguém.

A lição maior que podemos tirar do tempo é nunca deixar de pensar um pouco mais em nós, em ser um pouco egoísta, em aceitarmos mais os nossos desejos para que não exista essa sensação de arrependimento no final.

Não adianta viver o agora tentando recuperar o que você perdeu. Tente não pensar no que você poderia ter feito. Lembre-se que a tua idade, a tua vida, as tuas responsabilidades agora são outras, e infelizmente ou felizmente, tua vida vai ter que ser pautada no que tu és agora, no que todas essas relações te transformaram e onde te levaram, com certeza um alguém mais maduro, mais calejado e principalmente mais consciente do que quer para si.

Não pense no tempo como alguém com quem se pode barganhar, com quem você pode negociar. Saiba que ele sempre vai passar, e não vai pausar ou retroceder para te fazer viver o que não pode ser vivido.

Por isso, tenha-o como um amigo e aproveite as novas oportunidades que ele te traz, sem pensar que o agora é momento de reviver o que não pode ser vivido, o agora é momento da nova pessoa que você se tornou, e essa nova pessoa não pode querer recuperar o que já foi perdido. É hora de seguir em frente…

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Paoula Braid, 26 anos, advogada em busca de um cargo público, morando em Brasília por motivos do coração e vivendo a sua maior aventura: o casamento.

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