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POR Bárbara Hellen

As regras do seu relacionamento são suas

Colunistas / 18.01.17

Vi um vídeo da Jout Jout sobre o término com o namorado, Caio, no qual ela expôs que o relacionamento deles era aberto – o que chocou muitos dos seus espectadores mais moderninhos. Tentando explicar o que não deveria precisar ser explicado, ela ressaltou que cada relacionamento tem suas regras, conversadas abertamente e, portanto, respeitadas.

Cada vez mais ouvimos falar sobre seguir o que você acredita. Nos relacionamentos isso também é verdade, não dá para seguir um só padrão quando cada pessoa tem suas preferências e se incomoda com uma coisa diferente. Até acho que, ao longo do tempo, as regras presentes nos relacionamentos vão mudando. Podemos ficar mais liberais e também mais caretas em fases na nossa vida, mas quando há conversa, tudo fica certo. Inclusive, o casal pode decidir que não há regras. Se há consenso, provavelmente tudo fica bem.

Estamos muito habituados a aceitar os padrões de relacionamentos que já conhecemos e que são considerados sagrados. Para além de relacionamentos: seguimos padrões legais, culturais e sociais com o intuito de estar inserido na sociedade e até evitar punições. Mas, ao mesmo tempo, não estamos adaptados a resolver os problemas quando estamos com alguém que não respeita esses padrões.

Para alguns, estar fisicamente com outra pessoa não é traição. Assim, essas pessoas não se encaixam a um relacionamento tradicional e monogâmico. Elas precisam de um relacionamento que seja aberto para que possam se sentir felizes e completos. Atualmente atingimos 7 bilhões de pessoas no mundo. Como supor que essas 7 bilhões de pessoas achem que trair é a mesma coisa? Cada cabeça, uma sentença.

Muitas dessas pessoas, que não acreditam em relacionamentos monogâmicos, estão em relacionamentos tradicionais. E é aí que começa o problema: essas pessoas não vão respeitar as regras tradicionais. Magoarão os outros porque não concordam com imposições do parceiro e decepcionarão as expectativas alheias. É difícil não prometer o que não podemos cumprir, já que não é garantia que o outro aceitará o relacionamento que você quer. Requer muita conversa e maturidade. Eu mesma diria “o que?!” se meu namorado me sugerisse um relacionamento não-monogâmico.

Mas, me questiono, não são essas normas invisíveis que moldam o que sentimos e definem o que devemos esperar do outro? Se não esperamos fidelidade, não seria menor nossa decepção com a infidelidade? Não sei. O que sei é que às vezes devemos deixar nossos preceitos de lado e ouvir um pouco os anseios do próximo sem tanto julgamento. Com conversa, criar aquele relacionamento que almejamos, seja ele tradicional ou não. Mas um relacionamento no qual ambos estejam de acordo e vivam de acordo com o que acreditam. E possam dar muito certo – independente de como fiquem juntos.

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Bárbara Hellen é jornalista. Trabalha no ambiente digital desde 2010, quando lançou um blog e, desde então, preferiu as nuvens aos papéis. Exceto na hora de escolher um livro para ler, aí abandona toda a modernidade pelas brochuras. Acredita que qualquer boa conversa pode virar um bom texto e que são os sonhos que movem a vida – e por isso que até hoje nunca passou um dia sequer sem sonhar.

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