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POR Mailana Holanda e João Lucas

Namoro Santo: É mais fácil namorar a três!

Colunas / 27.07.15

Quando ouvimos falar em “namoro santo” logo nos vem à cabeça a abstenção do sexo no namoro e, claro, isso sempre gera uma polêmica. Mas não paramos para pensar que o assunto vai muito além. O que buscamos nesse texto não é criticar as pessoas que não concordam com a Igreja ou que seguem outras linhas de pensamento, mas apenas expor uma visão cristã acerca do tema.

O pecado contra a castidade é o sexto dos dez mandamentos (Ex. 20,14) deixados para nós por Deus e confirmados por Jesus na sua estadia na Terra, “guarde sempre os meus mandamentos bem gravados no coração” (Pv. 7, 3). A Igreja ensina que “o Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo” (Cat. §2345). Ensina ainda que os casados são convidados a viver a castidade conjugal, que implica na fidelidade, e os demais a castidade na continência.

Ao contrário do que muitos pensam, a castidade não é um simples ato proibitivo, uma prisão, abstenção. Na verdade, a vivência dessa virtude é o caminho para a autêntica liberdade. Pois só é livre quem se possui. Ao optar pela castidade, você passa a realmente ter domínio de si, e passa a ordenar sua sexualidade e afetos para o Amor e não simplesmente para o prazer.

No âmbito do namoro, a castidade preserva um homem Todo para uma mulher Única, e vice-versa. O amor, muito mais que sentimentalismo, é uma decisão, portanto, deve passar pelo exercício de perdoar, entender e esperar. O namoro é tempo de conhecimento, de adentrar na história do outro, e não de satisfação pessoal. Somos filhos do céu, merecemos o Amor em sua mais profunda essência, e não apenas migalhas, prazeres temporais, ilusões e fantasias. Um namoro casto é a certeza de um matrimônio fiel e feliz.

Nós, um casal de namorados de vinte e poucos anos, que namorou por cinco anos pensando completamente diferente do que vivemos hoje, tínhamos tudo para achar a opinião da Igreja ultrapassada. Na verdade, no início, chegamos a nos preocupar, pois, mesmo tendo consciência da visão cristã sobre como o namoro deveria ser, não estávamos convencidos dos argumentos usados para nos fazer optar pela castidade. Achávamos tudo aquilo muito rígido. Eis então que decidimos buscar o sentido do namoro na Igreja de uma outra forma, vivendo ele por obediência, mesmo sem concordar completamente, pois uma coisa era fato: Deus nos guiaria nessa nova aventura. Que alívio! O “namoro santo” e a “castidade” ao serem pronunciados, passam uma sensação de rigidez e dificuldade por um único motivo: as pessoas querem fazer as coisas de fora para dentro e as coisas de Deus não são assim. O primeiro passo não é tirar o sexo nem qualquer outra coisa do namoro, primeiro coloca-se a oração, coloca-se Deus. Um namoro vivido em Deus significa um casal que busca a santidade junto. E santo, como bem sabemos, não é quem nunca peca, mas quem sempre acha em Deus força para voltar e continuar buscando. Com o “namoro santo” não seria diferente, parece uma experiência maluca, mas rezar antes de tomar qualquer decisão no namoro, perguntar para Deus o que fazer e colocar os problemas nas mãos Dele ao invés de tentar resolver tudo com nossas próprias saídas, transforma o namoro em um verdadeiro tesouro. As brigas passam a ser cada vez mais raras, pois o casal está atento, confia no outro e sabe o poder do perdão, da paciência e da compreensão.

Em relação à castidade, sim, ela também precisa estar presente no namoro, não podemos relativizar o Mandamento deixado para nós e “adequá-lo” por desejo próprio aos tempos atuais. Mas o que sempre dizemos, viver um namoro casto é buscar a castidade e ter forças para levantar quando tropeçar pelo caminho. Ousamos dizer que o mais importante é o casal começar por um autoexame do relacionamento e se perguntar se o sexo é o centro daquele namoro. Parece assustador achar que o sexo é o centro de um namoro e muitos casais ao lerem isso logo respondem para si mesmos: “claro que o sexo não é o centro do nosso namoro”. Mas acreditem, muitos vivem isso, nós mesmos já vivemos por muito tempo, mas só uma análise atenciosa pode nos responder. Usar o sexo para resolver brigas sem realmente discutir a raiz do que as causou; ser escravo do corpo por medo do seu par ser atraído por um mais bonito na rua; aceitar que seu par, ao traí-lo (a), não buscou mais do que “sexo”, afinal, isso não tem nada de importante, o que vocês têm é muito maior… Esses e outros pensamentos tornam o sexo o centro de um namoro fadado ao fracasso, mesmo que haja todo amor do mundo.

O sexo é a mistura mais profunda de dois corpos e, mesmo que muitos relutem, naquele momento as almas também se misturam, pois não há como separar as duas coisas. Deus nos deu uma alma e um corpo para ser o templo dela e, ao mesmo tempo, o templo Dele, pois nossa alma pertence a Ele. Ficou um pouco confuso, vamos explicar: nosso corpo é templo de Deus. O único momento em que nossas almas se unem com a de alguém é no casamento, deixando de ser duas pessoas e passando a ser uma só. Por isso, é o único momento em que temos permissão de “misturar” nossos corpos e almas no sexo.

É importante também falarmos o que ganhamos buscando a castidade, pois claro, vai muito além da teoria. O que vamos falar agora, não saberemos explicar os “porquês” detalhadamente, mas queremos compartilhar uma experiência própria. Muitas vezes, antes, tivemos medo de nos arriscar por estarmos ligados a coisas antigas. Se vivermos a castidade, como vamos saber se o outro não vai sentir tanta falta a ponto de procurar em outros lugares o que não acha no namoro? Afinal, isso é instintivo, não? Não! O homem tem um dom dado por Deus, o de não agir pelo instinto, de ter poder de escolha sobre suas decisões, é isso que faz dele um animal racional. Não é o prazer momentâneo que nos guia se realmente estivermos voltados para Deus, pois o que Ele nos ensina diariamente é que devemos buscar a felicidade plena e não a passageira. E mais, não se vive a castidade para o outro, por isso, não há frustração se ele/ela buscar em outro lugar. Há apenas uma constatação de que seu companheiro (a) não se propôs a entregar o namoro para Deus como você. Vive-se a castidade para Deus e por Ele. Os dois entregam o sentimento em suas mãos e sentem a retribuição tamanha que lhes é dada. Gastam todo o seu tempo se conhecendo, conversando, pedindo opiniões, enfim… Tornando-se grandes amigos que tem um propósito: se for da vontade de Deus, unir seus corpos e almas no altar pelo sacramento do matrimônio. Pois, o propósito do namoro vivido para Deus é esse! O que não quer dizer que se um “namoro santo” terminar ele não era de Deus, mas que ele passou pela sua vida como um aprendizado e você, de inteligente que é, não uniu sua alma com alguém que não passará o resto dos seus dias se dedicando a você.

Não há regras para se viver um namoro assim, a quantidade de horas que você deve ficar com seu namorado para não “cair em tentação”, a quantidade de metros que vocês devem permanecer longe um do outro, quantos beijos dar, como beijar… Não! Cada namoro funciona de uma forma e o casal, na sua própria sintonia, vai decidir como buscar isso. O que é uma tentação para outros pode não ser para você. Mas, claro, é necessário que haja oração em qualquer decisão para não confundirmos a voz de Deus com a nossa própria voz.

É estranho você olhar uma mulher ou homem com uma roupa vulgar na rua e saber que seu companheiro (a) vai achar aquilo feio e não bonito e que ele/ela valoriza muito mais o seu modo de ser, de vestir, de pensar e te acha a pessoa mais bonita do mundo. Angelina Jolie e Brad Pitt que nos desculpem. Você sabe que seu ciúme não tem que estar ali, porque você percebe o quanto seu namoro é desligado da carne e ligado no espírito; o quanto os valores dele são diferentes. É como se você deixasse de se preocupar – principalmente as mulheres – em envelhecer, por saber que o que fortalece seu relacionamento não é nada que está no seu corpo. E não, não estamos falando para os casais deixarem de se cuidar por isso, cuidem dos seus templos para que vocês o amem, se aceitem e sejam felizes com eles. Você deixa de imaginar seu companheiro (a) em determinadas situações, porque elas se tornam distantes de vocês e isso purifica não só o namoro, mas nós mesmos também.

Para finalizar, é difícil explicar o que sentimos e o que essa escolha trouxe para o nosso relacionamento. Pois, por mais que o caminho de Jesus seja o da cruz e não o da facilidade, o fardo Dele é leve, por isso, viver um triângulo amoroso com Ele ao invés de uma vida a dois é o mesmo que viver um sonho. É saber que nunca devemos depositar nossa confiança nas pessoas, mas sim em Deus e, ao mesmo tempo saber que, por Ele ser o centro do namoro, não vai acontecer nada que Ele não queira para o casal. Mas, é importante que os dois estejam dispostos a tomar essa decisão, mesmo que não seja por convicção, mas como nós para experimentar essa “loucura” que é viver como Deus nos recomenda. O que se iniciou por obediência, permaneceu porque no meio do caminho descobrimos, por nossos próprios argumentos, o QUANTO vale a pena… E como vale!

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Mailana Holanda – 22 anos, estudante de direito – e João Lucas Polary – 23 anos, engenheiro civil – são católicos e namorados há nove anos.

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8 respostas para “Namoro Santo: É mais fácil namorar a três!”

  1. Barbara, parei agora pra ler seu blog por inteiro (antes lia uma reportagem aqui, outra ali), e que blog.. Parabéns! Virei leitora fiel, hehe amei todos os assuntos em pauta. Beijos

  2. Milana e João Lucas, em relação à escolha da abstinência nós divergimos. Também em relação ao dogma e à visão do sexo não matrimonial como pecaminoso. É que eu não partilho das mesmas crenças espirituais que vocês, mas as respeito imensamente. Falado isso, eu quero dizer: Que texto lindo! É incrível como a gente pode discordar e ainda assim apreciar! Suas visões acerca de um amor mais altruísta e menos carnal são lindas! Apesar de discordar da ideia de que o sexo poderia “desviar” ou “atrapalhar” o cultivo desse tipo de amor, é realmente bonito de se ver a maturidade sentimental que vocês atingiram, inclusive em relação ao ciúme. Dá pra perceber que esse modelo de relacionamento realmente funciona pra vocês. Espero que continue assim, e que vocês sejam muito felizes juntos, principalmente depois de casarem! Haha
    Um abraço!

  3. Que texto Maravilhoso Mai! Disse tudo! É algo que não se consegue explicar, e é algo que queremos que todos os que amamos sintam também! Quando entregamos nosso namoro a Deus, enxergamos o outro como território santo, e parece que o amor se revela na sua verdadeira essencia: algo puro, que deve ser cuidado com bastante carinho, e a quem mais podemos confiar pra entregar esse amor? Deus. Que Ele abençoe todos os dias o amor de vocês!

  4. Parabéns pelo exemplo!

    Com tantas formas de representar a modernidade, a castidade no relacionamento parece uma decisão atrelada a valores arcaicos, mas a compreensão de que somos seres humanos além daquilo que efetivamente vivemos e que, de fato, os relacionamentos estão além da prática sexual, de modo que esta não é uma prática a ser banalizada torna possível ter um relacionamente baseado em princípios eternos.

  5. Ao ler cada palavrinha meu coração faltava sair pela boca de tão tocante que foi. Nada melhor o que pôr Deus no centro de tudo aquilo que fazemos. E melhor ainda é como Ele vai tratando todas as coisas com muito carinho. Ter os olhos fixos os Deus nos dá forças e ate o que parece ser um problema grande, como a castidade, se torna algo muuuuito pequeno perto de todas maravilhas que Deus FAZ, TRANSFORMA, ALEGRA E PREENCHE. Que Deus possa ser sempre o centro do relacionamento de vocês e que Nossa Senhora ajude voces nas dificuldades. Eu AMO vcs, migossssss. Texto muito bom.

  6. Como é bonito ver jovens desde cedo aprendendo o verdadeiro significado do amor!! O amor em Deus e por Deus…Vocês são um exemplo para tantos jovens

  7. Vocês são exemplos para tantos jovens, é realmente difícil a compreensão para tantas decisões, mas mesmo não compreendendo muito, o ser humano que deposita sua confiança em Deus, aos poucos Ele tem o poder de nos mais pequenos modos explicar para todos nós. Que vocês continuem cada vez mais carregados na fé e na busca de uma união cada vez mais pautada na santidade! Vocês são lindos demais, Mai! Que Nossa Senhora possa sempre interceder na união de vocês e Deus permaneça no centro do namoro de vocês e abençoando cada passo! <3

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