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POR Bárbara Hellen

Pra-ler: Spotlight

Colunas / 17.10.17

O jornal Boston Globe descobriu, em 2002, uma série de abusos sexuais cometidos por padres. Todo o detalhe dessa investigação é narrado pelo livro Spotlight, baseado nas reportagens nas quais se descobriu que os abusos eram cometidos em ampla escala, em diversos estados, e que vitimou milhares de crianças. A investigação virou filme e gerou a maior crise atual envolvendo a igreja Católica. Não é pra menos: os crimes aconteciam há décadas e eram escondidos e atenuados pela própria igreja. O que fica claro no livro é que a própria igreja não soube como lidar e preferiu esconder os crimes a criar um escândalo, o que me levou a uma conclusão já nas primeiras páginas do livro: o mal só ganha força quando o bem se cala! Independente do que você acredita, é preciso sempre colocar um "holofote" no que está errado. Ao todo, 17.259 pessoas afirmaram ter sofrido abuso de 6.247 padres entre 1950 e 2013. E esses são os números incompletos! Só em Boston, no centro da crise, 249 padres foram acusados de abusar 1.476 pessoas! Em todo o mundo, o Vaticano destituiu 848 padres por abusos entre 2004 e 2013 – depois do escândalo! O livro detalha…

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POR Juliana Vidal

(Re)começar é preciso

Colunistas / 16.10.17

Eu não me considero um ser humano que sofre por apego. Não a coisas materiais, dessas que a gente tem pra satisfazer mais desejos que necessidades. Não que eu queira bancar uma espécie de hippie moderna - bem longe disso. Eu adoro ter coisas, comprar coisas e colecionar sacolas vazias embaixo da cama. Mesmo. Mas não coloco em nada que eu tenha a razão da minha felicidade. Ou parte atrelada diretamente a ela. Não me vejo, também, como alguém apegada a pessoas. Eu amo profundamente alguns seres que cruzaram o meu caminho. Alguns desses amores perduram, outros duram temporadas e tem aqueles que duram frações de segundos. Este último acontece ao acaso, compartilhando um momento banal que, sem nenhuma anunciação, flui de uma forma que ultrapassa a normalidade rotineira. Complexos que somos, surpreendentemente me vi apegada a mim mesma. Ao que fui, a quem costumava ser. E não falo isso por considerar que fui uma super-pessoa-maravilhosa no passado. Mas como diz uma música que não canso de cantar: às vezes as pessoas só querem ir “back to what they know”, não é? É que recomeçar é arriscado. Nem sempre é maravilhoso, nem sempre sai como o esperado. Você pode ter…

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POR Gabriel Ferreira Veloso

Um panorama da juventude

Colunas / 12.10.17

Certo dia, eu estava na sala de aula da minha escola e minha professora propôs à turma o seguinte debate temático: "Jovens: tradicionais ou de cabeça aberta?". Naquele momento minha cabeça parou. Nunca tinha parado para pensar que esse fenômeno passava ao meu redor e eu estava aquém dele. Falha minha, ok. No entanto, depois da mestra passar o tema e alguns dados para enxergarmos a situação, um aluno, fulano, fez uma observação: "Olha, eu acho que os jovens não compactuam com nenhum desses conceitos, pois somos sensíveis ao toque, ou seja, frágeis". Se eu estava assustado com o tema, com essa fala eu pirei. Contudo, esse pessoal touchscreen também é carregado de valores que antigamente não se valorizavam e, atualmente, o personagem que não se adaptar sai de cena. Porém, essa seleção natural se deve, essencialmente, à sociedade. Essas pessoas, de modo geral, exigem coercitivamente várias regras de comportamento e responsabilidade, e mesmo que Émile Durkheim tenha falado desses fatos sociais há muito tempo, existem adultos levianos que definem essas circunstâncias como uma fase natural. É fácil um adulto dizer "Isso é fase, vai passar", pois ele tem experiência de vida e, claro, já passou pela juventude. Grave engano.…

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POR Amanda Fontes

“tempo, és um dos deuses mais lindos…”

Destaque / 11.10.17

Em sete de janeiro, fiz 25 anos. Exato um quarto de século. Mal pude assimilar a ideia, e os 26 já batem à porta. Teimo em não querer abrir. Não é possível que a vida esteja passando tão rápido assim. Toc, toc, toc! — Quem é? — pergunto. — Sou eu, Kairós, — respondem de lá. — E o que você quer? — rebato daqui. — Vim te visitar. Como bom amigo que sou, quero lembrar-te que o tempo urge. Ele é um corcel indomado, sem rédeas, sem cela e sem cabresto. Segura-te firme nele e vá. Aproveite a jornada. Carpe Diem! O telefone toca. Do outro lado da linha, minha mãe. Ela diz que anda com saudades e que preciso arrumar tempo para estarmos juntas. É o suficiente para trazer-me de volta ao mundo. Desligo. Por um momento — antes de ser interrompida — imagino que conversava com Kairós, a personificação do tempo existencial. Filho mais novo de Zeus, irmão de Chronos, ele simboliza a oportunidade do momento presente. Uma pergunta ressoa em minha mente: mas o que é o tempo? Como arrumá-lo? Sei que o tempo não é nem um lugar e nem um momento, mas apenas um movimento. Hoje, não sou como eu era. Não sou como…

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POR Bárbara Hellen

Pra-ler: Os julgamentos de Nuremberg

Colunas / 11.10.17

Não é fácil ler qualquer livro referente à Segunda Guerra Mundial, pois todos os relatos mostram o quanto o ser humano pode ser irracional e cruel. Mas, para mim, temos que ler muito sobre a segunda guerra mundial para que todas as atrocidades não sejam esquecidas, repetidas e para que, como bem diz o livro, os nazistas não assumam um status mítico nas mentes daqueles que não passaram os horrores dos campos de concentração. "Os Julgamentos de Nuremberg" é um desses livros, um relato dos julgamentos dos nazistas que ajudaram Hitler a cometer tantos crimes contra a humanidade, em uma guerra que deixou 64 milhões de vítimas. É interessante ver que a maioria das pessoas envolvidas eram pessoas comuns, como eu e você, mas que não tinham qualquer compaixão ou consciência. E mais: a própria nação negava tudo que acontecia, como há, até hoje, pessoas que acreditam que não houve as barbaridades escassamente comprovadas. Além de contar detalhes sobre os julgamentos, o livro também escaneia a personalidade daqueles que eram mão direita de Hitler. Conta como eles se comportaram, seus anseios e até a esperança de sair impune. Uma curiosidade interessante: os sete princípios que guiaram os julgamentos de Nuremberg…

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POR Bárbara Hellen

Les Misérables: um musical para rir e chorar

Destaque / 10.10.17

Mais de 70 milhões de pessoas tiveram a oportunidade de assistir ao Les Misérables em todo mundo. Fui uma delas. O musical, inspirado em um dos maiores clássicos da literatura escrito por Victor Hugo e em cartaz em São Paulo no teatro Renault, é lindo e impecável. Essa nova produção, que estreou originalmente no Reino Unido em dezembro de 2009, foi feita por Cameron Mackintosh e tem a versão brasileira adaptada por Claudio Botelho. A história Jean Valjean, um homem condenado por roubar um pão, e que é perseguido pelo rigoroso inspetor Javert por desrespeitar a liberdade condicional, é contada em 28 números musicais. Entre eles, destaca-se a versão “On My Own”, que é arrepiante, pois, mesmo sem ter visto o musical, a música é bastante conhecida e popular e retrata o amor não correspondido de Éponine, interpretado por Laura Lobo, por Marius, interpretado por Filipe Bragança. Não há dúvidas que é uma superprodução: ao todo, 101 pessoas são envolvidas para realizar uma única apresentação, cada performance tem 392 trajes completos, 1.782 itens de vestuário e 31 perucas. A estreia brasileira aconteceu 10 de março e permanece em cartaz até dia 10 de dezembro. ____________ A coluna Artes mostra o que…

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POR Bárbara Hellen

Pra que pular etapas na dieta?

Colunas / 09.10.17

Assim que você começa a seguir uma nova dieta ou uma celebridade do mundo fitness, é inevitável ficar empolgado e fazer tudo certo. Comprar suplementos, malhar todos os dias, comer até menos do que o nutricionista passou. Tudo para que o resultado apareça com mais rapidez. Passa dias, passa semanas. Você sobe na balança e... tudo continua igual. É nesse momento que o desestimulo chega e comparações também. Ué, mas por que você não toma leite e na minha dieta tem leite? Mas você faz dois tipos de exercício por dia? Eu tomo chá enlatado, não pode?! Você come muito menos carboidrato do que eu, é por isso que não tenho resultados. Infelizmente, “dieta” é igual à vida: cada pessoa vive a sua fase e não é possível pular etapas. Não dá para comparar o seu capítulo 1 com o capítulo 10 do amiguinho. Quando saímos de um estilo de vida no qual não há qualquer preocupação para um estilo de vida feito para melhorar a nossa alimentação, é normal ter um delay. Não espere perder os 5kg que você acumulou em 10 anos em um mês de foco. Não espere abandonar o seu chocolate facilmente quando comer ele era…

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POR Gabriel Ferreira Veloso

O trio

Colunas / 06.10.17

Na era digital, de conteúdo on demand (Ahh bendita Netflix!), de notícias relâmpago sobre delações premiadas e de manifestações de ódio nas redes sociais, é inegável a facilidade do acesso à informação. Seja na televisão, jornais, revistas ou na internet, pode-se ter contato com quase tudo de maneira rápida e fácil, mas nesse universo caótico e internetês, em que tudo se acessa e compartilha, como pode-se ter certeza da credibilidade daquela notícia compartilhada por um amigo no Facebook? Pois é. Não é mais preciso ter o selo de um grande jornal para uma manchete ser divulgada como verdadeira: sendo impactante e com letras de caixa alta, já é suficiente para gerar discursão nos grupos de Whatsapp. Some este exemplo aos trabalhos ostentados pela fonte Google. Não ria meu caro leitor, esses e outros erros são mais comuns do que você imagina. Antes, é preciso entender porque os erros acontecem. Basicamente, eles são causados por pessoas que querem doutrinar outras menos esclarecidas através de notícias e informações falsas. Nesses sentido, os usuários mal informados -ingênuos em certos casos-, acreditam fielmente naquilo que foi compartilhado justamente por esse personagem não ser dotado de conhecimentos gerais ou de causa, e por isso, tendem…

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POR Bárbara Hellen

Pra-ler: Estranhos à nossa porta

Colunas / 05.10.17

Zygmunt Bauman é um grande pensador da modernidade e ficou muito conhecido pelo seu conceito de “Amor Líquido” (um dos seus best-sellers). Na comunicação, o conceito de liquidez (em “Modernidade Líquida”) também é bastante estudado. Mas o primeiro livro inteiro que li de Bauman foi esse, “Estranhos à nossa porta”. Atual (o livro é de 2016), Bauman expõe o quanto os governos utilizam a ansiedade da população com a crise migratória para desviar a atenção dos problemas que são incapazes de enfrentar – ou que não tem interesse. Por isso o crescimento de governos com figuras opressoras, fantasiados de salvadores da pátria. Vemos isso claramente na eleição de Trump que utilizou muito desse discurso de ódio contra imigrantes - e foi eleito. Bauman vai a fundo e relaciona, por exemplo, o salto no continente de refugiados como um dano colateral produzido pelas expedições militares ao Afeganistão e ao Iraque. Ele também não utiliza de meias palavras ao afirmar que os nômades lembram o quanto é frágil o nosso bem-estar. Isso nos causa ansiedade e é uma chance para políticos, que não estão interessados em aliviar essa ansiedade e sim alimentá-la. Por fim, é enfático: “A humanidade está em crise –…

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POR Amanda Fontes

Como encontrar um jeito diferente de viver

Colunistas / 04.10.17

Meu avô foi um cara muito legal. Minhas lembranças dele são super atuais e a sensação é de que convivemos por uma eternidade. Infelizmente, não. Ele faleceu aos 63 anos. Mas, lembro-me com clareza dos nossos dias juntos, de sua grande cicatriz no peito, fruto de uma cirurgia cardíaca e do jeitão de dizer que me amava — pois, ele sempre gritava de onde estivesse: Amanda, já disse que te amo, hoje? E eu respondia: Já, vô, umas trinta e cinco vezes. Ele era grandão, truculento e nervosinho. Adorava contar piadas e tinha um ditado para cada coisa que nos acontecia. Lembro-me bem do nosso hábito de deitar no chão gelado e colocar os pés no sofá. Era engraçado. Ele adorava colocar o pé onde deveria sentar e a cabeça onde poderia pisar. Acho que era uma mania que trouxe da vida. Virar tudo de ponta cabeça. Ser totalmente singular. Mas o que eu me lembro mesmo é dele ser contra padrões. Certa vez, entre goles de um copo d’agua, deixei escapar que queria algo, não sei exatamente o que. Mas só queria porque “todo mundo tinha”. Ele, de pronto, respondeu: “você não é boi no pasto, minha filha”. Na época, essa…

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