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POR Paoula Braid

Deixando o ninho

Paoula Braid / 20.02.17

Essas semanas, me peguei pensando: “Meu deus, que saudade de casa!”. E aí lembrei que minha casa é aqui.

Sair de casa “cedo” tem dessas coisas, a gente não desliga tão fácil do lar que deixou, seja para casar, como no meu caso, seja para estudar ou trabalhar. Mesmo morando fora há praticamente dois anos (como passa rápido!), ainda me pego pensando na casa dos meus pais como meu lar.

Acho que tem coisas que a gente nunca vai conseguir desligar: o cheiro da minha comida não é o mesmo que da minha mãe, minha diarista é menos simpática que a Solange que me conhece desde a infância, meus vizinhos raramente falam comigo e aqui é seco demais em certas épocas do ano (e as pessoas também).

Sair de casa te faz amadurecer sem querer, porque você precisa aprender a lidar com o seu próprio silêncio, com a sua própria rotina, com você. Eu acredito que seja uma das experiências que te dão a maior prova de autoconhecimento, não tem Yoga ou terapia no mundo que te descubra mais do que viver em outro lugar.

Muitos vão sair para dividir o lar com outra pessoa e esse é um dos maiores desafios que vamos ter na jornada.

Você tem outra pessoa, com outros gostos, outras manias, outros defeitos. Eu brigo quase todo dia com meu marido porque ele não faz a cama, eu acho cama arrumada essencial. Ele deve pensar: “Mas que mulher chata!”, e mesmo assim divide sua rotina comigo.

Uma amiga me contou que a colega que mora com ela sempre come todos os iogurtes, a outra pega as roupas sem avisar e por aí vai. A rotina se torna um verdadeiro exercício de paciência, é só você pensar em quantas vezes você briga com seus pais e aí imagina como será com outra pessoa que não te conhece tão bem?

Se você pensa em sair simplesmente porque chegou a hora, sejamos sinceros que a sociedade meio que impõe que está na hora de morar só. Eu já disse varias vezes: “Ele tem 35 anos e mora com os pais? Tem algo estranho…” Eu sei, a gente é besta e adora dar palpite onde não deveria.

Mas o importante é não ter medo de sair do ninho, não ter medo de buscar o que você deseja, não ter medo de seguir seus sonhos. É difícil, saudades dói, mas é prazeroso saber que você consegue cortar o cordão umbilical e é importante perceber que as pessoas que você deixou conseguem viver sem você. Elas também precisam disso às vezes.

E quer saber? Se não der certo você sempre tem para onde voltar! <3

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Paoula Braid, 25 anos, advogada em busca de um cargo público, morando em Brasília por motivos do coração e vivendo a sua maior aventura: o casamento.

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