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POR Bárbara Hellen

O Livro dos Espelhos

Destaque / 25.04.17

Mistérios policiais é um gênero que tem ganhado cada vez mais minha preferência. Tenho substituído os romances por eles. Assim como romances, os mistérios só nos prendem se forem de fácil leitura, com personagens com características bem definidas e que nos façam, ao longo do texto, ter algum palpite. Pois bem, O Livro dos Espelhos, de E. O. Chirovici, nos traz quatro narradores que tentam decifrar um crime que aconteceu há anos, o assassinato do renomado psicólogo Joseph Wieder. De cara, você recebe alguns suspeitos do crime, que voltam a aparecer ao longo da narrativa. Todos os personagens que tiveram algum envolvimento com o psicólogo dão a sua versão e você, do lado de cá, começa a montar o quebra-cabeça. O lado humano desse livro foi o quanto nossa memória é traiçoeira e nos engana. O ser humano tem uma capacidade imensa de maquiar suas lembranças para torna-las mais agradáveis, e muitas vezes podemos até deixar de saber o que realmente aconteceu – porque iremos lembrar da forma que aquilo nos tocou. Voltando ao livro, bons livros pedem finais interessantes e eu realmente me surpreendi com o desfecho da história. É um livro para ler no avião ou no domingo,…

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POR Vitória Colvara

Há menos beleza no salão de beleza

Vitória Colvara / 24.04.17

A ideia de frequentar salão de beleza sempre me aterrorizou. Quando criança, vez ou outra, acompanhava minha mãe e tentava encarar como uma aventura o fato de ter que andar por entre os carrinhos de esmalte sem derrubar nenhum, fugir do cheiro de tinta e comer guloseimas como brigadeiros, pipoca e otras cositas más! Um belo dia, voltando da aula de ballet na qual me sentia uma patinha feia e despenteada diante de tantos cisnes cor de rosa, eu resolvi parar no salão e pintar as unhas. Os atrativos para as crianças estão cada vez maiores. Desde florzinhas e bichinhos a toda série de desenhos e afins. As manicures realizam sobre as pequenas unhas infantis verdadeiras obras de arte com palito e esmalte. É surpreendente mesmo, muito lindo, sutil e delicado. Pronto, tinha uma flor em cada um dos meus dez dedos, mas voltando caminhando para casa, peralta como só eu, algumas das flores borraram e o que era quase um realismo se transformou em uma pintura abstrata. Mantive daquele jeito, mesmo que minhas amigas da escola tivessem achado horrível. Eu gostei. E nesse dia aprendi que antes de criticar algo que não gosto em alguém, é importante saber se…

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POR Bárbara Hellen

A vida é perfeita em todos os seus desafios

Destaque / 24.04.17

É interessante perceber ao vivo o quanto os eventos da nossa vida se encontram, em uma sincronicidade realmente inexplicável. Cada desafio, cada pessoa que entra na nossa vida, tudo e todos terão um papel, se não neste momento, mas para qualquer coisa que vem no futuro. Conversando com uma amiga, comentei que se, lá em 2009, eu tivesse escolhido morar em Brasília e não em São Luís, meu ciclo de amizades seria hoje completamente diferente. Talvez, inclusive, nem estivesse em São Paulo ou talvez já estivesse aqui muito antes. Sabe aqueles "e se" que às vezes paramos para pensar? Eles sempre confirmam: como Deus é um perfeito escritor de histórias, e escreve as nossas pensando em todos os detalhes que possam acalmar o nosso coração. No dia 01 de abril, tirei a minha tireóide por termos encontrado um nódulo maligno nela. Não era mentira, era câncer. Mas eu podia muito bem não ter achado ele neste momento, que não era o momento perfeito para mim (recém-chegada em uma cidade diferente, sem familiares, no momento que descobri nem meu apartamento ainda tinha, mal começando a minha pós..) Mas olha, o momento é sempre perfeito para a vida: tudo caminhou com tanta…

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POR Paoula Braid

Deixando o ninho

Paoula Braid / 20.02.17

Essas semanas, me peguei pensando: “Meu deus, que saudade de casa!”. E aí lembrei que minha casa é aqui. Sair de casa “cedo” tem dessas coisas, a gente não desliga tão fácil do lar que deixou, seja para casar, como no meu caso, seja para estudar ou trabalhar. Mesmo morando fora há praticamente dois anos (como passa rápido!), ainda me pego pensando na casa dos meus pais como meu lar. Acho que tem coisas que a gente nunca vai conseguir desligar: o cheiro da minha comida não é o mesmo que da minha mãe, minha diarista é menos simpática que a Solange que me conhece desde a infância, meus vizinhos raramente falam comigo e aqui é seco demais em certas épocas do ano (e as pessoas também). Sair de casa te faz amadurecer sem querer, porque você precisa aprender a lidar com o seu próprio silêncio, com a sua própria rotina, com você. Eu acredito que seja uma das experiências que te dão a maior prova de autoconhecimento, não tem Yoga ou terapia no mundo que te descubra mais do que viver em outro lugar. Muitos vão sair para dividir o lar com outra pessoa e esse é um dos…

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POR Anna Júlia Leão

Qual é o preço do amor?

Anna Júlia Leão / 16.02.17

Estava refletindo esses dias depois de alguns acontecimentos e uma pergunta martelou a minha cabeça: qual é o preço do amor? Porque sim, ele possui um preço. Preço que não é contado em cédulas ou moedas. O preço da credibilidade, da esperança, do entusiasmo, da dedicação e principalmente do empenho. Ah... o empenho.. O empenho é fundamental na relação a dois, indubitavelmente uma das coisas que tem sumido nos dias atuais. Ninguém (Lê-se: pouquíssimas pessoas) tem tido mais a paciência e a dedicação necessárias pra suportar a primeira tensão do namoro, uma desordem do parceiro, uma depressão que não é sua, a insegurança do outro e até uma atitude nunca pensada. Bem verdade que os relacionamentos atuais não são os mesmos de tempos atrás, mas eu ainda continuo achando que é possível vivenciá-los. A minha avó se separou do meu avô quando ele faleceu, depois de 30 anos juntos, cumprindo assim os votos prometidos no dia do casamento. E claro, ele deu dor de cabeça, brigou, foi frio, gerou insegurança nela, teve uns pulos fora da cerca (claro!). Quando ela me relatou tudo isso, eu fiquei ainda mais impressionada com a relação que eles tinham. Como é que consegue por…

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POR Bruno Pereira

O cinza é de João. Mas a cor é nossa

Bruno Pereira / 30.01.17

Sempre me disseram que SP era uma cidade cinza. Depois eu li que era violenta e perigosa. Depois eu escutei que não existia amor em SP. Até que, depois do depois, eu conheci verdadeiramente SP j90mtgs. E depois, descobri um grande amor por aquela cidade. Não sei se por ela propriamente ou pelas pessoas de lá que amei. Ou se, em alguma medida, o amor de um contaminou o outro, e passei a amar assim. De qualquer forma, hoje eu tenho grande afeto por essa cidade de contrastes. Os contrastes, como em vários outros lugares, é social, político, econômico, racial, era, inclusive, de cores. Descobri que ela não era tão cinza quando diziam. Ela tinha algumas cores espalhadas por grandes paredes que formam longos corredores que nos levavam a tantos lugares que o pensamento seria incapaz de chegar. Era uma cidade que tinha dado voz à arte popular, de rua, não elitizada, aquela que não precisa estar nos maiores museus do mundo e nem terem sido pintadas por pessoas com sobrenomes rebuscados para ser chamada arte. Até que veio que alguém, que se diz tanto amante de arte, e, do dia para a noite, mandou pintar a cidade de cinza…

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POR Bárbara Hellen

As regras do seu relacionamento são suas

Bárbara Hellen / 18.01.17

Vi um vídeo da Jout Jout sobre o término com o namorado, Caio, no qual ela expôs que o relacionamento deles era aberto – o que chocou muitos dos seus espectadores mais moderninhos. Tentando explicar o que não deveria precisar ser explicado, ela ressaltou que cada relacionamento tem suas regras, conversadas abertamente e, portanto, respeitadas. Cada vez mais ouvimos falar sobre seguir o que você acredita. Nos relacionamentos isso também é verdade, não dá para seguir um só padrão quando cada pessoa tem suas preferências e se incomoda com uma coisa diferente. Até acho que, ao longo do tempo, as regras presentes nos relacionamentos vão mudando. Podemos ficar mais liberais e também mais caretas em fases na nossa vida, mas quando há conversa, tudo fica certo. Inclusive, o casal pode decidir que não há regras. Se há consenso, provavelmente tudo fica bem. Estamos muito habituados a aceitar os padrões de relacionamentos que já conhecemos e que são considerados sagrados. Para além de relacionamentos: seguimos padrões legais, culturais e sociais com o intuito de estar inserido na sociedade e até evitar punições. Mas, ao mesmo tempo, não estamos adaptados a resolver os problemas quando estamos com alguém que não respeita esses…

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POR Paoula Braid

O que aprendi com o Reino de Sião

Paoula Braid / 17.01.17

Esse início de ano tem sido de aprendizado pra mim. Estou na minha 1ª viagem pela Ásia, lugar que sonhava em conhecer e que estou amando descobrir. Acho que todos os povos trazem características bem marcantes, seja por influência de alguma religião ou pela parte histórica em si, e a Tailândia, por ser um país 95% budista, me mostrou alguns detalhes que eu gostaria de compartilhar e com um pouco de esforço adicionar aos meus dias. 1º – O bom humor! É uma característica chocante nas três cidades onde passei. Sabemos que os brasileiros tem fama de ser o país do samba, da alegria, da receptividade, mas os tailandeses dominam isso de uma forma tão natural. Eu que acordo super mal humorada, fico com vergonha com tantos sorrisos matinais. Você percebe que é algo que flui e não uma obrigação. E aí percebemos como o budismo influencia, pois alguns dos ensinamentos são os de alegrar-se pelo outro, olhar ao redor com amor e ser dono da sua própria felicidade. Como alguém que carrega esses sentimentos pode ter um mau humor, não é mesmo? 2º – O amor próprio! E quero destacar a preocupação das mulheres com a beleza. Em todos…

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POR Bárbara Hellen

Compreendendo a realidade social com três seriados

Artes / 16.01.17

Reproduzir a realidade é uma ótima maneira de conseguir enxergar a realidade. Ironicamente, o ser humano dificilmente consegue se enxergar de verdade e seriados e filmes atuam como auxílio na hora de compreender relacionamentos e seus defeitos e qualidades - e também a nossa história. Assim, não poderia deixar de indicar – não pelas razões óbvias – seriados que, por inúmeros motivos, me ajudaram a vislumbrar mais. Aqui vão três! Gilmore Girls – A Year in the life: Mãe e filha, as Gilmores, voltaram às vidas dos fãs depois de dez anos. E nós criamos expectativas: de quem iria ficar com quem, quão bem sucedida os personagens estariam, quais sonhos seriam realizados... As mesmas expectativas que jogamos em nossas vidas. Será que acharemos e ficaremos com o amor da nossa vida? Será que todo o estudo e dedicação será sinônimo de sucesso? Será que superaremos perdas? Será que teremos tempo para mudar? Além disso, outro aspecto interessante é a psicologia que está presente por trás do seriado e mostra que eventos traumáticos são repetidos por gerações quando reprimidos. The Crown: Quanto você seria capaz de abdicar? Na história da transição da Rainha Elizabeth ao trono, vemos o quanto ela abandonou…

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POR Anna Júlia Leão

Instabloggers

Anna Júlia Leão / 12.01.17

A contemporaneidade trouxe muitas novidades e praticidades para o nosso dia-a-dia. A internet, com seu vasto universo de informações, consegue estar hoje à frente da televisão, objeto que foi por muito tempo considerado a principal fonte de informação para a população, junto com o rádio. Com as redes sociais, como o Instagram, Snapchat e Facebook, as pessoas nunca estiveram mais sós: temos como companhia virtual médicos, dentistas, donas de casa, jornalistas, office-boys. Até realidades muito diferentes das nossas ficaram próximas como nunca. O Snapchat trouxe a possibilidade de conseguirmos acompanhar ao vivo o passo a passo de receitas, medicamentos, aulas e exercícios de musculação. No Instastories (ferramenta do Instagram), o uso começou a crescer e o mais legal foi o surgimento dos ''Bloggers do Snapgram'', aqueles que não são oficialmente bloggers, não cursaram moda ou algo do tipo, talvez nem façam muitas postagens, mas abriram um canal de comunicação mais íntimo com seus seguidores e amigos. Nesse canal, qualquer pessoa pode perguntar como poderia limpar alguma coisa da casa ou sobre como poderia usar um medicamento no combate a um tipo de doença. A impressão que fica, ainda que pequena, é que se criou uma atmosfera de ajuda em meio…

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